LIVROS POESIA
II
sou fumo, sou pedra * persigo sonhos antigos pela estrada do sem fim * elevo meu corpo projecto-me para cima |lentamente| fumo a subir no ar * agito minhas mãos no vento em jeito de agarrar * sou fumo, sou pedra caíndo a prumo persigo o sonho antigo do amor universal persigo o sonho antigo da paz e justiça social * persigo o sonho antigo sonhando-o persigo-o. * perseguindo-o encontro o triste real * sou fumo, sou pedra caíndo a prumo. * Conceição Paulino, |meu país é um sonho sonhado|, 2009, Edium
O SEGREDO DOS CONSTRUTORES DE CATEDRAIS
I
Entre o que sinto e o que sou Desconheço-me tão só
Os caminhos que sigo Sou porque não vou
Estou entre o silêncio e o pó
Entre a morte e a vida Espero o esquecimento
A minha memória é indefinida
Mas é atlântico o vento
II
Minha poesia na mão de quem má deus ponho
E percorrerão a terra ondas de vento
Toda a vida cobri o Tempo de Sonho
Um dia cobrir-me-á o Sonho de Tempo
Joaquim Fernando Fonseca, Portograal, edium editores 2006.
il batideru di mis bezus/
quero dizer: il batideru di mis bezus
si sintirá in tu pasadu
cun mí in tu vinu/
avrindo la puarta dil tiempu/
tu sueniu
dexa cayer yuvia durmida/
dámila tu yuvia/
mi quedarí/quietu
in tu yuvia di sueniu/
londji nil pinser/
sin spantu/sin sulvidu/
nila caza dil tiempu
sta il pasadu/
dibaxu di tu piede/
qui balia/
I
o tremor de meus lábios/
quero dizer: o tremor de meus beijos
será ouvido em teu passado
comigo em teu vinho/
abrindo a porta do tempo/
teu sono
deixa cair chuva adormecida/
dá-me tua chuva/
ficarei/quieto
em tua chuva de sono/
longe no pensar/
sem espanto/sem olvido/
na casa do tempo
está o passado/
debaixo de teu pé/
que baila/
Juan Gelman, dibaxu/debaixo, trad. Andityas Soares de Moura, edium editores, 2007
Há um lago no rosto da casa
aberta
na face das tuas mãos.
Talvez
somente os teus olhos
o desvendem.
Talvez o vento
de passagem
em ti recolha
a Invenção de Eros.
Variações sobre tema de Vítor Matos e Sá: A Invenção de Eros, Xavier Zarco, edium ed. 2006
Prémio Poesia Vítor Matos e Sá 2007, org. Conselho Científico Fac. Letras da Univ. de Coimbra
em esquéria há frutos todo o ano
e se houve tempo em que pude amar
ao som das espingardas, hoje eu quero
uma árvore de jacarandá
florir lilás. na abóbada florida
ando pelo caminho de telémaco
com as asas de atena; beijo o mar
como se é o ventre de minha mãe.
sem deus sicário, áugure ou conciliábulos
da mais ridente e vã feitiçaria
demoro na colecta da semente
e no apetite da voragem morro
abraçado ao tronco do esquecimento;
enfim, chegado à terra da alegria.
Travessia, José Félix, edium editores, 2007
Da Humana Condição
Das rotas dos princípios disto tudo,
emerge o verbo – essência de água e lodo.
Das tábuas que quiseram ser um todo,
não resta nem espada, nem escudo.
O verbo, sem sentido, anestesia
a dor que prolifera e que subjuga.
Já nem sequer a mão canhestra enxuga
a lágrima que dói e tomba, fria.
Casado o desespero com a ira,
irrompe da cratera a violência
na lava da vergonha e da mentira.
Suspenso do mistério da existência,
dedilho, em desespero, a minha lira,
vergado à perdição da minha essência.
Da Humana Condição, José-Augusto de Carvalho, edium editores 2007
Tu, deitada no templo, decifrando as
escuras pilastras da casa, ouve
minhas palavras metálicas. Ainda
hoje saborearei teu corpo, quer
m’ofereças, quer não. Jasmins
tenho em minha carroça para
impressionar teus gostos arrojados.
Serei um afável salteador, roubando-te
as mais pecaminosas
excitações cerebrais. Ainda hoje tu
te deitarás comigo no prado.
Afastemo-nos da cidade. Então
apresentar-te-ei vários elixires, temperos
raríssimos.
Os milênios serão nossos confessores.
Algo indecifravelmente veloz, Andityas Soares de Moura, edium editores 2007.
o carpinteiro bate a vértebra no sangue,
um jovem corre na raiva da desordem,
como um relâmpago a palavra carne é a palavra vida
e o poeta não abre nem fecha a essência numa
ampulheta de areia. O carpinteiro já conhece
as artes de fazer o fogo da alma. És belo. És anjo
desce por dentro de ti
e descansa dentro das botas
do tempo
a ampulheta do teu corpo constrói-se em trapézios
mágicos. A vértebra regressa ao lugar
o poema é o sangue adiado noutro grito
e a sensível ave branca de uma rosa
que te ofereço. És belo. És anjo
desce no copo da vida e como a água
assume a sua forma
transparente e
v
e
r
t
i
c
a
l
Fractura Possível, José Gil, edium editores 2008.
Observo-te nua de cores,
Asas o vento mastiga ao teu redor,
Alma sincera te aguarda,
Destino dos homens devorar de ti
O que a alma guarda.
Por entre pétalas pestanejando
Sobrevoando o rio materno
Água doce da cor de um sonho
Agarra-te consumida
Nas mãos do Inverno.
Observo-te nua e perfeita
Num ritual sombreado de desconjuntura
São palavras mentidas ao vento
Nos lábios despidos de ternura.
Vestes do pó da terra a vida
Lá longe ainda se escutam sorrisos
Não fosse o horizonte tão distante
Serias tu verdadeira e, nós, submissos.
Respira-se ainda um pouco de sol
Rasgaste os céus com palavras mudas
As mãos no alto suplicam a um deus
Que tragas voando nas asas tuas.
Esperança…
Esperança.
Fui… o que já não sou!, Paulo Themudo, edium editores, 2008
os homens contam os anos
à medida do sono das aves
debaixo da serrania e das neves,
alevanta-se um vasto império,
onde os reis não quebram,
refulgem e dormem em
romaria de corpos duros, não
vendo o deus que carrega aos ombros
a campina negra, a voz dos
viajantes que vão passando
regressam a um tempo em que
as aves marcavam as horas e
as resumiam na cronologia de
um verso
Ascensão do Fogo, Jorge Vicente, edium editores, 2008
o amor é uma casa onde cabem dois corpos
e os gestos entre eles.
imaginemos que não se pode falar
e coloquemos uma ameixa madura no lugar da boca.
qual dos amantes dará o primeiro beijo?
a noite não tem olhos. um corpo sabe do outro corpo
apenas porque cheira. um corpo não sabe quem é o
outro corpo. são um homem e uma mulher.
mas, no silêncio, só há dedos e línguas.
o toque é a linguagem, a magia de ser vento numa carícia.
e assim conversam os amantes.
imaginemos que podem escrever uma palavra.
têm apenas o corpo um do outro. e, no lugar da boca,
ameixas que sangram beijos. quando as línguas se afastam,
a noite abre os olhos com ternura.
os dedos dele penetram o corpo dela.
no momento em que ele vai escrever
uma palavra no seu interior,
nesse exacto momento em que o amor é um gesto circular,
e a voz apenas um fio, ela sussurra:
escreve o teu nome.
o ciclo menstrual da noite, alice macedo campos, edium editores, 2008.
Eu irei ao Hades buscar-te,
preso a mim pela boca,
pelo sonho que me fizeste
parir nos meus passos.
Irei trocar-te pelas minhas palavras,
por essa noite escura,
ficarás cá em nome brilhando,
que é muito mais que as estrelas
que se reflectem nos meus olhos,
por seres mais em saudade,
que o brilho aparente da luz.
Irei ao Hades jurar-te que Zeus
se arrependerá da ambição
de reinar um mundo
onde o teu olhar não verá.
Irei ao Hades resgatar-te
em todos os poemas que foste,
para que Gaia te faça cá em energia tão pura,
e se faça de novo a fresca manhã.
Gravado no Tempo, Constantino Alves, edium editores, 2008
emoldura-se de pó
a distância
uma lágrima
cumpre o seu mistério
descendente
quem regressa
serenamente aguarda
a estação das colheitas
conjuga as cinzas
com o verbo da terra
O Livro do Regresso, Xavier Zarco, edium editores, 2008-
Prémio de Poesia Raúl de Carvalho, 2005
V – Sob a epígrafe Anderson Santos
“quenteúmido pouso de poesias”
Anderson Santos
Dos acúleos o mel volta às folhas
no chão as camarinhas despem-se,
a língua mole escalda.
Água e pântano ou corpo rebentam
no frontispício desta calda.
O mel volta verme.
Nascido tarde, Ana Maria Costa, edium editores, 2008.
Dizer que as penas vivas doam mais
Do que as mortas, será talvez verdade!
Estas deixam o aroma da saudade
Aquelas vão contigo aonde vais.
Cravando-te os caninos infernais
Vão sugando o sangue da vontade
De lutar com vigor e liberdade
Por aqueles a quem se ama demais.
Gota a gota, o sangue se derrama,
Deixando a seiva viva anemiada
Sem força para arder na sua chama.
Escondida, dorida, esfarrapada,
A alma em sofrimento em vão reclama
Que volte a esperança amortalhada.
Ensaios em dó menor, Maria Carmen Lino, edium editores, 2008.
Nas entranhas da noite,
os minutos ordeiramente perfilados
desfilam intransigentes
na sua marcha voraz e compassada
nem uivo de bicho
nem pio de gente
nem silvo de ave
Imperturbável, o silêncio
rasga a cortina intransponível
das trevas
e irrompe contra um tempo
que corre veloz
ao encontro de nada
Ao Encontro de Nada, Ercília freitas, edium editores, 2008
Rio de sal que desliza,
Na encosta suave…
Dança no seu leito, em contornos perfeitos…
Brilha como diamante, na luz que trespassa,
Reflexos que acendem rastilhos a quem vê,
Prisma de cores em encantos puros,
Majestoso e simples…
Nas gotas que caem e caem num espaço infinito…
Auras que cintilam em pérolas de pequenas estrelas…
Intemporais, deslizam num tempo que abraça.
Poderoso rio de sal que caminhas sem parar,
Que corres, lentamente, no lento morrer dos dias,
Vazio, cheio de tudo,
Sentimentos puros de tempestades vividas…
Batalhas ganhas e perdidas, que alimentam o crescimento,
Marcas de diferenças no estado de espírito que alimentas,
Numa alma que espelha o coração, que bate em seu peito,
Compasso de harmonia em ritmos perfeitos.
Gotas perfeitas de gosto amargo e doce…
Com o sal que tempera o sentimento,
Transportas uma vida com sentido,
Num sentido que é dado à vida…
Como palavras por vezes esquecidas…
Que a boca não diz, que morrem no tempo,
Névoas que envolvem e que, timidamente, escondem,
Refúgios sempre presentes em guaritas bem guardadas,
De sílabas perdidas de mensagens tantas vezes escritas,
De poemas que se soltam ao vento…
Rio de sal que deslizas,
Porque és feito de lágrimas, que caem lentamente…
Sensibilidade de quem chora, e sente.
Rio de Sal, Luís Ferreira, edium editores, 2008.
com que se molda o dia
e frágil o sentido
das coisas mais belas
um pão nas mãos da fome
um ribeiro na boca da sede
uma ilha no olhar de um náufrago
por que feres os passos
e traças a sangue
a via do poema
Nove ciclos para um poema, Xavier Zarco, edium editores, 2008
Prémio Literário da Lusofonia 2007
Um simbolismo platónico, profano
Trasladado de um tempo já findo
Como um pedaço de fertilidade
Crescendo no útero materno.
Anuncia em mim a nova vida
O novo tempo precoce se adivinha
A verdade déspota e mesquinha
O triunfante rasto da imortalidade.
Alma Suspensa, Elis Bodêgo, edium editores, 2006
There I lay,
Dreaming,
Awake, if only inward,
Travelling the vast expanses
And dimensions
Of self-unconscience…
Drifting through the limitless void
Of a self-contained universe,
Sprinkled with the brightest stars
And planets etching strange orbits…
Each inhabited by wondrous creatures
And marvelous monsters,
Veiled by moons and embracing rings…
Black holes inscrutable,
Super-novas blinding,
A prisoner only
To the confines of my vision
And the horizon…
I bathe in nebulas
Taking exquisite delight
In seeping and merging
Into their liquors
Melted by the warmth of a thousand suns,
The ticking of clocks but ripples
In the liquid fabric of space…
My skin crawls
As galaxies rustle
And stardust brushes
The back of my neck,
Playing with my hair.
Shooting stars,
Fleeting hopes,
A ballroom dance
To a soundless tune…
… A mute messiah singing Creation…
The stained glass shatters
Into a multitude of gleeful,
Sharp, colourful shards,
As gravity hums me a lullaby,
Rocks me to sleep
Amidst midnight-blue sheets of tangibility…
PSICONAUTA
Lá me deito
Sonhando,
Desperto, no íntimo,
Viajando na vasta imensidão
Nos domínios
Da auto-inconsciência…
À deriva no imenso vazio
De um circunscrito universo,
Salpicado pelas mais fulgentes estrelas
E planetas que gizam estranhas órbitas…
Povoados de assombrosas criaturas
E maviosos monstros,
Velados e coroados por luas…
Buracos-Negros impenetráveis
Super-Novas encegueçantes
Um mero cativo
Prisioneiro do deslumbre
E do tangível horizonte…
Na nebulosa me banho
Em excelsos deleites
Imergindo-me, possuído
Nos seus eflúvios
Levedados pelo calor de mil-sóis
O esgotar do tempo murmurante
Na textura liquefacta do espaço…
A minha pele arrepia-se
À poalha sussurrante
Das galáxias que me afaga
O pescoço, a nuca
E brinca com os meus cabelos.
Estrelas cadentes,
Esperanças fugidias,
Um salão de dança
Para uma melodia sem som…
… Uma ode muda a Messias…
Estilhaços de vitrais
Desferidos em júbilos corais,
Afiados, fúlgida estilha,
Enquanto a gravidade me murmura
Cânticos de embalar
Por entre a mortalha nocturna da tangibilidade…
Etéreo, Miguel Rocha dos Santos, trad. Jorge Castelo Branco, edium editores, 2006
Corre o cavalo alado
Fugindo ao
Tempo
Num frenético cavalgar
De crina e a cauda ao
Vento
Trote cadenciado
E relinchar
Frequente
Esplendoroso de agilidade
Vive na sede de inspiração
Morta na fonte de Hipocrene
Por toda a eternidade
À Rédea Solta, M.ª Emília Costa Moreira, edium editores, 2006
Se eu deixasse de acreditar
Em muitas coisas que ainda acredito
Se eu deixasse de acreditar
Em palavras que a minha boca não diz
Se eu deixasse que as minhas mãos
Dedilhassem a guitarra
Dela fizessem um corpo
Que eu amasse, possuísse
Como nunca possuí palavras que não digo
Então, sim,
Talvez eu voltasse a respirar
A falar com o Silêncio
A viver com a Solidão
Mas nem ele nem ela me conhecem
Nem ele nem ela querem conhecer-me
Nem eu tenho a certeza
De os querer reconhecer
Como dantes
Em que o Silêncio dizia
As palavras que a minha boca não pronunciava
Sol, estrelas, pássaros, céu, nuvem
Pássaros cantando, como quem dança
E dança dançando como quem canta.
Tempo Maior, Luísa Carlos Martins, edium editores 2006
Nada se ouve…
… neste sítio!
Nada se lê nestas palavras!
O silêncio chegou barulhento…
Apenas e só ele se ouvirá!
O silêncio chegou com vontade de escrever…
Apenas e só ele se irá ler!
Ele chegou para ficar…
Sentada na areia, Joana Moça edium editores 2008
“Março findava e chegaste com as andorinhas…”
porém, quando o Verão findou e pronúncios de frio chegaram de
Oriente, partiste com elas.
Apesar do tempo e da distância, deixei na mesa e toalhe de linho
bordada, onde as papoilas parecem ter vida, à espera que a Primavera,
te traga para o almoço.
E quem sabe, amnhã será Primavera!…
(Maria Mamede)
“Há um parte antiga
que quer fugir de ti ao meu encontro.
Mas existem ainda outras partes que te seguram ao cais para que não arrisques a viagem”.
(Albino Santos)
Quem sabe, amanhã será Primavera, Maria Mamede e Albino Santos, edium editores 2008
Tenho cinco minutos do tempo que resta, tenho uma caneta em que a tinta lhe falha e falta-me a força, ainda assim, num último fôlego tenho uma voz rouca que procura por ti… em vão!
Ainda me faltam tantas palavras em tantas melodias para cantar ao teu ouvido, num cúmplice segredo…
E tu? Que sempre desejaste esse momento, sem nunca o pedires, sem que os teus olhos escondessem esse desejo em que um dia neles o li… e nunca tive a coragem de assumir essa interpretação como a correcta, como a real…
Agora é tarde demais… porque te perdi! Agora é tarde demais, essencialmente porque me perdi…
Nem o tempo soube gerir, para oferecer a minha despedida!
Mínimos Instantes, Paulo Afonso Ramos, edium editores 2008.

Nem fogo nem chama me colocaram aqui;
Neste promontório de tons desluados
Que me coube em prisão.
Aqui passo o círculo perpétuo do meu suplício,
Aqui me é cobrado o preço dos meus fios.
Férrea estaca que me amparas, minha bengala neste ocaso,
Brande alto o teu braço,
Alonga da vista esses predadores de asas,
Esses carnívoros de penas que me circundam.
A imolação não é consentida, nem concertada.
É um purgatório esta minha espera de mil zénites,
Esta desilusão que não arranja término.
Deuses, libertai-me desta punição justa, sede parciais;
Esquecei que foi a vida o meu furto, esquecei-o, ó Parcas.
Naquele novelo sustive em mãos o meu porvir e o de outros;
Esqueceu-me a sua fragilidade, soltei-o em pedaços de éter,
Lancei-os pelas vias do esquecimento,
Por essas estradas do oblívio.
Sou a minha tentativa falhada, meu próprio fracasso;
O fio que me cabia extraviou-se em ar.
Ou talvez seja este mesmo cordel que me segura
Rente a este poste com vista para as vagas do mar.
Talvez que nunca fosse outro
E apenas a ambição o fizesse mais entroncado.
Surgem os dias e vão-se no mesmo sol,
Mas eu, que dos astro falto a constância,
Vagueio por mil modestas mortes
Sem me deter em nenhuma.
Observo o voo planado das árvores,
Os ventos dos gaviões de bico;
Sei que futuro e destino nos unem
Com laço pouco terno. Mas não ainda,
Ainda não teve início o último confronto da carne.
Prometeia, Rita Mello Ferrreira, edium editores 2008.
As minhas noites são
um turbilhão de sonhos
e pensamentos.
Estranhas combinações
concebidas sem nexo
que a noite vai esgotar.
E pergunto a mim próprio,
perplexo,
se não serei eu
o verdadeiro enigma
a decifrar!
Madrugada sem fronteiras, Albino Santos, edium editores 2008.
liberta o corpo
o tronco verga à posse dos sentidos
o aroma do desejo
a analepse
dos gestos
memória fina, turva.
Lições de Eros /um/, José Félix.
quando me ergui
da terra
compreendi
que os passos são golpes
sulcos
de um arado
para o regresso da semente
Lições de Thanatos, /um/, Xavier Zarco.
Lições de Eros / Lições de Thanatos, José Félix, Xavier Zarco, colecção versoREverso, edium editores 2008.




















